segunda-feira, 16 de maio de 2011

Vibrações

Tem momentos que o volume da música precisa ser alterado para cima, os sentidos pedem, algo precisa vibrar com o som. É o sangue que pula nas veias pedindo pra só correr, fluidamente e, a música parece poder ritimá-lo, desde que sobreponha seus saltos. Para isso é preciso algo extremo, às vezes a agregação de forças, onde uma delas pode ser o volume alterado para cima e a outra até a suavidade exagerada de uma baladinha num violão com uma voz masculina aveludada, supostamente despretenciosa e por isso tão evidentemente cheia de vibrações subliminares, porque ninguém se contém sem que a contenção fique perceptível aos mais atentos - que a identificam, ou mesmo aos menos atentos - que não a identificam, mas intuem que há algo atrás daquela voz tão agradável, e sempre há atrás dessa voz um lobo que comeu argila (Isso faz parte de uma história dos Irmãos Grimm "O lobo e os sete cabritinhos" que se encontra na obra "Contos e Lendas dos Irmãos Grimm", tradução de Íside M. Bonini, Vol. IV, Editora EDIGRAF, p. 92)...rs .
Mas não é de lobos que estou tratando, apenas dos efeitos benéficos da sua voz contida, abrandada, maquiada.
De alguma forma é preciso desfibrilar. É preciso reoordenar. É preciso cadenciar.
Só assim tudo pode voltar ao normal.
É bonito descer a ladeira e ver ao longe as luzes no horizonte largo enquanto o fluxo começa a ser sentido, depois de alguns minutos de música, de boa música, de sons e silêncios, de pulsação, de absorção.
Já posso chegar em casa, reduzir a velocidade do carro, cumprimentar as pessoas, ouví-las, estar presente.
É bom estar de volta.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Tem gente que não tem fino trato

Tem gente que não sabe agir com delicadeza. Tem gente que não tem coragem. Tem gente que não dá de si e espera receber tudo do outro. Tem gente que avalia mal o que recebe de bom. Aí SE magoa e devolve indiferença a quem lhe deu tanta compreensão. Mas entendo. Coisa da pouca idade. Coisa da má formação. Coisa instintiva. Coisa de sentimentos mal conhecidos. Coisa da vontade mal treinada. Mas tudo bem. A vida ensina ao velho e ao novo. Que pena. Todo o esforço de tolerância feito não foi sentido, percebido, valorizado. Um dia quem sabe passará por situação semelhante para entender. Ninguém vai desta para melhor sem se dar conta de quando foi injusto. Acontece comigo. Acontece com todos.

Tem notícias que a gente deve ao outro, por respeito, por carinho, por dignidade, até por questão de inteligência, sabendo que evitaria dissabores. Será que não queria que eu soubesse? E por que? Ou é só falta de decência mesmo? Ou falta de treino em fino trato? Não importa. Vai sentir o mesmo. Vai entender. Vai repensar. Vai aprender. Só então partirá. E chega de explicar tudo de todos. Esse sempre foi meu jogo, justificar o erro das pessoas, dos próximos, dos por mim bem quistos. Maldito conhecimento das humanidades. Chega de achar que todo mundo é bom. As pessoas não são boas todas, nem todo o tempo. Há pessoas más. Há pessoas burras e ofendidas como disse Maria Bethânia um dia. Há pesssoas doentes do sistema límbico (Sim, estou falando dos psicopatas antissociais). Mas o texto não é sobre um caso desse, não há sinais de deficiência orgânica cerebral, mas evidente más escolhas.

Há homens que fiz crescer, que fiz aprender coisas importantes que seus pais e suas escolas não os ensinaram, que com isso conquistaram posições. Há homens arrogantes. Há homens a quem só resta a queda livre porque perderam a fonte estimulante. Há homens que despertam o melhor em mim e isto deixo motivar minhas ações. Há homens que despertam o pior em mim e que me fazem ter que exercer grande autocontrole para não deixar que isto decida o que faço. Esses homens ruins me fazem ser muito melhor do que já sou, portanto. Há homens que são fracos, pobres, diminutos. E as palavras gastas aqui pra me referir a eles chegam a ser superiores ao seu mérito, mas servem para evitar que minha mente devolva a eles involuntariamente os danos recebidos. Evitando a efervecência do inconsciente abrandando inclusive a fúria de Deus, de quem sou filha predileta, e a Quem já vi ser mais contundente e eficaz (antes eu dizia "perverso" rs) do que eu quando se trata de fazer alguém entender o mal que me fez.

Parece forte o que leu?

Arrogante?

Duvida?

Não conhece as forças ocultas da mente humana tampouco a pedagogia divina.

Não se preocupe. Minha inocência me foi roubada aos poucos por muitos e com isso adquiri conhecimento empírico daquilo que era só teórico um dia, mas a bondade não conseguiram ainda roubar. Espero resistir sempre para não me juntar aos que estão do lado de lá.

Acabo de lembrar: "Os bons são maioria" diz a propaganda da Coca-cola.

Mais uma vez
( Renato Russo)



Mas é claro que o sol vai voltar amanhã
Mais uma vez, eu sei
Escuridão já vi pior, de endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem.

Tem gente que está do mesmo lado que você
Mas deveria estar do lado de lá
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Tem gente enganando a gente
Veja a nossa vida como está
Mas eu sei que um dia a gente aprende
Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo
Quem acredita sempre alcança!

Mas é claro que o sol vai voltar amanhã
Mais uma vez, eu sei
Escuridão já vi pior, de endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem.

Nunca deixe que lhe digam que não vale a pena
Acreditar no sonho que se tem
Ou que seus planos nunca vão dar certo
Ou que você nunca vai ser alguém
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Mas eu sei que um dia a gente aprende
Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo
Quem acredita sempre alcança!
Quem acredita sempre alcança!
Quem acredita sempre alcança!
Quem acredita sempre alcança!
Quem acredita sempre alcança!
Quem acredita sempre alcança!
Quem acredita sempre alcança!
Quem acredita sempre alcança!

terça-feira, 3 de maio de 2011

Hoje Ponta Grossa ficou menor

Hoje faleceu o Renato Sérgio Kotowey. Artista Plástico, um dos grandes de Ponta Grossa. Impressionista.
Eu o conheci há 23 anos. Eu era estagiária num dos "S" onde ele era professor de Desenho Técnico. De repente no hall da entidade uma exposição de suas telas. Percebi logo que era nada acadêmico. Que tinha personalidade aquela assinatura. Ele tinha um sorriso tímido, típico dos grandes artistas. Uma noite o diretor da Unidade promoveu um de seus jantares para os funcionários...lembro do cardápio...lasanha verde e Gengiskan...Renato no violão, outra pessoa e eu também...cantávamos Iolanda do Chico Buarque e como todo músico nos olhávamos pra sincronizar os tempos e as mudanças de posição no violão. Os olhos azuis dele nesta hora fizeram eu parar de tocar e interrompê-lo pra dizer que "com esses olhos azuis me olhando não dá"...rs. Coisas de quem já tinha tomado umas cervejas. Coisas de quem era muito inocente ainda. Nada mais que isso, mas claro que às voltas todos imaginaram muitas coisas, principalmente os que costumam julgar os outros por si mesmos, ou melhor, que costumam julgar as intenções dos outros por suas más intenções. O fato acabou sendo divertido. Kotowey caiu na risada, eu também e todos por conveniência...rs. Mais tarde veio uma canja para nos resgatar as forças, já tínhamos tocado e cantado muito. Anos depois, em 1992, eu já era Coordenadora de Cursos em outro "S", convidei-o para ministrar um Curso de Desenho Artístico do qual fiz parte da turma com outros conhecidos, a turma tinha 18 alunos. Foram 5 meses com 3 aulas semanais de 3 horas. Renato Kotowey aplicou naquele curso, trazendo para Ponta Grossa um conhecimento de vanguarda, o método "Desenhando com o lado direito do cérebro" de Betty Edwards.  Quando essa entidade comemorou 50 anos no Estado do Paraná ele foi um dos artistas pontagrossenses que convidamos para retratar os serviços da entidade. Uma de suas telas, retratou a cozinheira "Chica" escolhendo feijão no balcão do restaurante, a outra tela retratou uma aluna na aula de jazz. A exposição dos trabalhos seguiria itinerante pelas Unidades do Estado, mas quando ficou na Direção Regional em Curitiba, o Diretor Regional de então, escolheu a tela do Renato Kotowey com a cena do cotidiano ato de "escolher feijão" para ficar em sua sala. Este diretor conhecia arte e sabia da preciosidade diante dos seus olhos. Ainda preciso descobrir se a tela ficou na entidade ou seguiu com o diretor. Desejo imensamente que esteja protegida e exposta para que outros possam desfrutar da beleza daquela composição. Com o Kotowey aprendi um novo olhar para o mundo, para as coisas, para as formas, para as cores, para as sombras, para a luz, para os planos da perspectiva, para o recorte e enquadramento de uma cena, para a composição de uma obra, para o que é arte e o que não é, para os contornos do academicismo e o traço livre e leve do artista. Muitos anos mais tarde, acompanhei de longe quando uma amiga convidou-o a fazer uma retratação do Mosteiro da Ressurreição à pedido do Abade que muito conhece de arte também, aliás os monges sempre desenvolvem sua dimensão artística. Este trabalho do Kotowey foi apresentado à comunidade numa exposição. Foi a penúltima vez que o vi. E fiquei muito feliz por participar deste momento em que um artista de verdade tinha seu reconhecimento. No ano passado o vi pela última vez. Lugar inusitado como tinha que ser com um artista, estávamos ao lado da banca de tomates do Supermercado Tozetto do Jardim Carvalho. Ali contou-me da sua vitória sobre uma doença. Fiquei tranquila e feliz ao saber que tínhamos ainda a oportunidade de beber da sua arte e do seu conhecimento sobre ela. Na semana passada insisti com minha filha que ela deveria ter umas aulas com o Kotowey para aprimorar e aprender dicas de como dar ares de arte aos desenhos que faz e que já são bons. Não houve tempo suficiente para isso. Quem o conheceu pessoalmente e pode aprender com ele teve sorte. Agora é só admirar o que produziu. Tenho uma sensação de quem tem um tesouro, a lembrança de conviver, mesmo que pouco, com um grande artista. Por isso hoje Ponta Grossa ficou menor. E o paraíso ficou maior.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Um ano de sucesso - Maio



PERSEVERANÇA
___________________

O maior carvalho já foi um dia uma pequena nós que abraçou sua terra.

AUTHOR UNKNOWN

terça-feira, 26 de abril de 2011

Um chá


Cheguei do trabalho ontem. Tarde Fria. Fui tomar um banho pra livrar a alma da fuligem das queixas do dia, e sempre são muitas, mais do que é capaz de imaginar. Quer ser minha "Sombra" durante um dia? Eu não seria cruel permitindo. Mas, também fui para o banho pra aquecer o corpo. Saí vestindo meu roupão de inverno, aveludado, marcado com minhas iniciais, do tempo do surto com o artista de cinema, que não queimei porque seria desperdício, é muito gostoso de usar. Fui até a cozinha. Coloquei a chaleira pra esquentar a água, que não deve entrar em ebulição, mas chegar às portas. Peguei uma das caixas de chá que ganhei. Uma pessoa querida, especial me deu. Abri a caixa escrita toda em Mandarim, vermelha. Nunca mais acharei esse chá se gostar dele, pensei. Não sei bem onde adquiriu pra me trazer. Fez a gentileza porque comentei da minha busca pelo chá que gostava e desapareceu do mercado: Real Bland! Era um chá preto. Lembro que dizia na embalagem: Tipo Assam e Orange Pekoe. Nunca mais achei uma marca de chá preto com estas duas características juntas. Do que pude descobrir parece que Tipo Assam significa que é da região de Assam - Índia e Orange Pekoe significa o tempo de secagem e torra. Encontrei há um tempo um substituto, também nacional, antigo, do tempo da minha avó (ela realmente usava): Tupi, caixinha amarela com o desenho de um índio - granel, caixinha vermelha - sachê, onde consta tipo orange pekoe, cujo sabor é bem próximo daquele favorito. Este da caixa vermelha escrita toda em Mandarim me deu dupla alegria: o sabor também muito próximo do favorito e ainda trazia boas lembranças da pessoa que me deu. A xícara também tem algo que evoca significados outros, tem a estampa estilizada de tulipas, flores lindas, de um colorido diverso, de uma terra especial. Com este conjunto - Roupão, chá e xícara - sentei-me no sofá da sala de TV e me senti abraçada pelo Roupão e aquecida pelo chá, bebendo lembranças saborosas e fortes. Servido (a)? Do chá. Lembranças? Sirva-se das suas. Das que forem tão boas quanto as minhas.


domingo, 24 de abril de 2011

Páscoa

Se Páscoa quer dizer vida nova
e se desejamos a todos isso
e recebemos votos dos outros
pra que isso aconteça em nossas vidas
temos que nos perguntar:
O que há de novo em minha vida?
Quais as perspectivas?


A coisa mais nova
e inusitada
foi uma sensação,
uma emoção forte
há poucos minutos
e escrevo ainda
sob o seu impacto:

um presente -
porque gratuito -
que encheu-me os olhos
há sete dias
quando chegou,
cheio de fitas
de cetim e de organdi,
de flores e de brilhos,
de cores e sabores,
de surpresas.

Guardei.
Abri,
toquei,
e lembrei
que há mais de 25 anos
não ganho uma coisa dessas.
Não se faz isso!
Provocar velhas emoções
novamente.

Também não dá
pra esperar as coisas novas chegarem,
as mudanças acontecerem,
é preciso dormir e acordar,
é preciso caminhar.
Mas apesar disso
coisas novas chegam
sem nosso esforço sim:
o novo minuto,
o novo dia,
a nova estação,
o novo sonho,
a nova alegria
um novo pedido,
uma nova tarefa,
uma nova informação.
Até novas pessoas!

sexta-feira, 22 de abril de 2011

A falta

Hoje é sexta-feira santa.
Hoje é dia da falta.
Dia de lembrar da falta.
Da falta do Filho do Homem.
Da falta de um caminho de volta pra Deus.
Da falta das coisas importantes.
Por isso dia de Jejum.

Deixamos faltar um pão
pra lembrar da falta de outro.

Mas há quem já sinta a falta
de muitas coisas todos os dias,
não havendo falta pra lembrar
porque é repetidamente vivida.

Há quem sinta falta crônica
de cultura,
de lazer,
de saúde,
de conhecimento,
de fé,
de bens,
de afeto.

À falta de Deus
veio a ressurreição.

E à falta dessas coisas humanas todas?

Há quem nunca tenha Páscoa
porque nunca essas faltas são supridas.

Há quem use como Páscoa no dia-a-dia
o jogo de Pollyanna, hipnose ou terapia.

Há quem use como Páscoa no dia-a-dia
Limbitrol, Prozac ou Sertralina.

Há quem use como Páscoa no dia-a-dia
a bebida, o cigarro ou a cocaína.

Há quem use como Páscoa no dia-a-dia
os livros, a arte ou a endorfina.

A todos faltam coisas importantes
que não podem ser supridas por si mesmos.

A todos faltam coisas importantes
que os outros poderiam ajudar a suprir.

A todos faltam coisas importantes
que muitos esperam suprir no descanso eterno.

A todos faltam coisas importantes
que suprimos como, quando e quanto podemos.

Alguém ainda quer contar com alguém?
Alguém ainda poderá contar com alguém?

Alguém presume como viver sem a falta?
Alguém se dá conta do que não lhe falta?

Agradeça.
"...o que falta cega p'ro que já se tem". (Paralamas do Sucesso)

* Veja a postagem "É lindo o gesto de se oferecer" de 02.03.11.