quinta-feira, 29 de abril de 2010

Pisando em ovos

Todos já viveram essa situação. Alguns vivem a vida toda assim...inseguros, com medo e por ser seu único modelo de vida, querem que todos a sua volta assim vivam...pisando em ovos, certos de que seus passos causarão danos, quebrarão algo ou alguém. No trabalho, em casa, entre amigos enfim, muitos desconhecem o que é pisar o chão firme da franqueza com cordialidade, do diálogo e do esclarecimento, da racionalidade e inteligência suficiente, da sabedoria resultante da experiência e do conhecimento, da segurança pessoal.

Parece que os adultos só cresceram em tamanho, mas deixaram a graça e a sabedoria de lado. Tudo dói, tudo pega, tudo é mal interpretado. Até mesmo as coisas boas e corretas da vida.

É complicado gente ofendida. Gente que por não saber de algumas coisas, não compreende outras ou tem medo de todas as coisas. Gente que não quer saber, então, é monstruoso. Que vida de suplício. Não, não para eles, mas para quem está a sua volta - os que correm atrás de saber mais e sempre, que não se contentam com pouco ou com mais ou menos, que se cobram por não saber ainda, que se não sabem perguntam, lêem, ouvem com sede e avidez de entendimento. A esses, que suplício!

Pisar em ovos, além da via de entendimento inicial de não querer quebrar as coisas, as situações, os outros, por medo de enfrentamento, denuncia também e talvez mais, o medo de quebrar-se em caquinhos. Algumas pessoas são feitas de carvalho, outras de bambu e estas são bem vindas, mas há pessoas feitas só de porcelana, papel e casca de ovo, estas últimas, que ou foram polpadas ou se polparam, precisavam primeiro adquirir consciência de sua situação, porque algumas delas foram colocadas em posição de liderança de um grupo, ou melhor, de dominação e acabam impondo aos seus subordinados a mesma postura covarde diante dos fatos da vida, em segundo lugar precisam iniciar ontem um processo de amadurecimento, de mudar o "olhar", de exercitar uma percepção mais panorâmica das coisas.

Talvez essas pessoas me perguntassem, "mas que atitude seria mais acertada"? E eu diria: "Ora, nada como a verdade, ela vos libertará!" Nada como a franqueza com cordialidade. Nada como a sinceridade, do tipo "isso eu sei" ou "isso eu não sei ainda" ou "sei alguma coisa disso". "Isso não é o melhor, não é o correto". "Minha intenção foi...". "Desculpe-me". "Queria desculpá-lo, mas ainda não sou capaz". "Errei quando fiz isso". "Você é um espetáculo de profissional"! Você é muito querido". "Você tem uma capacidade incrível". "Preciso lhe dizer que não gostei do que fez ontem". "Poxa, desculpa cara, não foi isso que eu quis dizer."
Simples assim... o que é, é. O que não é, não é. O que está sendo, poderá continuar a ser ou deixar de ser.

Há umas regrinhas fáceis para sermos menos ofendidos, magoados e culpantes (neologismo é claro...rs) dos outros, e assim evitarmos que as pessoas andem pisando em ovos: aprendamos a separar o ser do fazer, a pessoa da ação, a intenção do ato; estudemos, conheçamos, analisemos, avaliemos, conquistemos novos mirantes, trocando em miúdos, quanto mais conhecimento, mais e amplamente vemos as situações, menos sofremos com coisas pequenas e liberamos, em nós e nos outros, energia pra criar coisas boas e belas, necessárias e satisfatórias.

Nenhum comentário:

Postar um comentário